Bruno Amaral

Um palco com duas plateias - o ECP Green Summit para o Expresso

A 7 de outubro fizemos o livestream do ECP Green Summit para o Expresso, no Pavilhão de Portugal, numa sala com o palco ao centro e uma plateia de cada lado. A forma da sala decidiu o resto, das seis câmaras ao segundo mix para o ecrã.

Régie do ECP Green Summit, com o Rafael Reigota de perfil diante do multiview das seis câmaras e o ecrã do evento ao fundo

Por volta das nove da manhã de 7 de outubro, uma quarta-feira, entrámos em direto do Pavilhão de Portugal, em Lisboa, para o Facebook do Expresso. Saímos do ar perto das seis da tarde, com pausas pelo meio. Ao longo do dia passaram pelo palco trinta oradores do ECP Green Summit, o encontro que fechou a agenda Ecocerâmica e Cristalaria de Portugal: nascida no âmbito do PRR, desenvolveu quarenta projetos para descarbonizar a indústria da cerâmica e da cristalaria. O Expresso era media partner e chamou-nos para o livestream.

O pedido cabia numa frase: cobrir o evento. O que era preciso para o cobrir decidiu-se um mês antes, numa visita à sala.

A visita de setembro

A 11 de setembro, o Rafael Reigota foi ao Pavilhão ver o auditório. Percebemos logo que a nossa montagem habitual não servia. O palco fica ao centro, com uma plateia de cada lado, frente a frente.

O auditório do Pavilhão de Portugal visto do balcão, com o palco de madeira ao centro e cadeiras amarelas dos dois ladosA sala vista do balcão, na visita de setembro: o palco ao centro e uma plateia de cada lado.

Numa conferência comum, o palco tem uma frente. As câmaras ficam do lado do público, os oradores falam para elas e para a sala ao mesmo tempo, e a realização corta entre planos que olham todos na mesma direção. No Pavilhão havia duas frentes, e quem estivesse em cena ia virar-se ora para uma plateia, ora para a outra. Com as câmaras todas de um lado, cada vez que um orador se virasse para a outra frente, a emissão mostrava-lhe as costas.

O Rafael trouxe também o desenho do cenário e da luz. O ecrã e o formato do palco limitavam os sítios onde as câmaras podiam ficar, e foi com essas limitações à frente que fizemos o plano.

Aquela sala pedia mais câmaras e mais um operador do que uma conferência com uma só frente.

Seis câmaras, três de cada lado

Montámos seis câmaras PTZ, três para cada plateia. Em cada lado, duas ficaram no topo da plateia e a terceira cá em baixo, junto ao palco. As câmaras chegavam por NDI à régie, montada em vMix, e pelo mesmo caminho saía o nosso sinal para o ecrã da sala. Os conteúdos gráficos chegavam-nos por SDI.

Uma das plateias vista do palco, com as cadeiras amarelas em degraus e o balcão por cimaUma das plateias, vista do palco em setembro. No topo de cada uma ficaram duas câmaras.

A sala tem pouca luz natural, e a iluminação estava a cargo de outra equipa de audiovisuais. As decisões que mexiam com as câmaras tomámo-las em conjunto com eles.

Chegámos de manhã, e a montagem levou o dia inteiro. No ar, cada operador ficou com um lado: eu com uma plateia, o outro operador com a outra, cada um com o seu multiview. Falávamos com o Rafael, que estava a realizar, por intercom. A fotografia de abertura é a régie nesse dia, com as seis câmaras no ecrã dele.

Um segundo mix para o ecrã

Estava tudo bem alinhado. A maior dificuldade técnica foi o ecrã da sala. O ecrã recebia planos das nossas câmaras, mas algumas câmaras tinham o próprio ecrã no enquadramento. Se um desses planos fosse para o ecrã, a sala via a imagem dentro da imagem, a repetir-se em túnel: realimentação.

Fizemos por isso um segundo mix, só para o ecrã, onde nunca entrava um plano com o ecrã lá dentro. A emissão para o Facebook tinha a sua realização, e o ecrã da sala tinha a dele, com regras próprias.

O auditório no dia do evento, com as duas plateias ocupadas, um painel em palco e, no ecrã por cima, o plano aproximado de um dos oradoresA sala no dia, com as duas plateias ocupadas, o debate sobre energia em palco e um plano das nossas câmaras no ecrã. Fotografia de José Fonseca Fernandes, Expresso.

Saltar o eixo

A dificuldade de realização foi outra. Com câmaras dos dois lados do palco, cortar de um lado para o outro saltava o eixo: quem olhava para a esquerda passava a olhar para a direita, e o espectador perdia a noção de quem falava com quem. Com redobrada atenção para evitar isso, o Rafael passava por um plano geral entre dois cortes, para o salto não se notar.

Nos debates, os oradores ficaram de lado para as duas plateias. Não era o ideal para quem estava na sala, mas funcionou para a emissão, porque usámos sobretudo as câmaras junto ao palco, que estavam frontais aos oradores.

Quatro pessoas em palco, entre pedestais brancos facetados, numa conversa sobre capacitaçãoA conversa sobre capacitação e novas competências. Fotografia de José Fonseca Fernandes, Expresso.

Quem mais sentiu a sala foram os próprios oradores. Com uma plateia de cada lado, quem fazia uma apresentação andava de uma frente para a outra, a dividir-se entre as duas.

A reportagem

Além do livestream, fizemos a reportagem em vídeo que o Expresso publicou com o artigo sobre o encontro. Gravou-a um operador de câmara freelancer contratado por nós, uma jornalista que também contratámos escreveu o guião, e a pós-produção ficou com o Rafael. A emissão do dia continua no Facebook do Expresso.

O que fica

O pedido do Expresso foi cobrir o evento. Para esta sala, isso queria dizer mais câmaras, mais um operador e um mix à parte para o ecrã. Foi a visita de setembro que o mostrou, a tempo de o preparar. Com a montagem habitual, teríamos descoberto as duas plateias já em direto.