
Seis cartazes que ganharam vida
Do cartaz parado ao loop do ecrã de espera, de março a outubro de 2026
Antes de um livestream entrar no ar, quem está em casa vê o cartaz do evento, quase sempre parado. Entre março e outubro de 2026 animámos seis, do CCB ao Fórum da Parreirinha, em Peniche.
Há dois tipos de ecrã de espera, os que mexem e os que parecem avariados. Quem já abriu o link de um livestream dez minutos antes da hora conhece o segundo. A emissão está no ar, na sala ainda há gente à procura de lugar, e no ecrã está o cartaz do evento, parado como um elevador entre dois andares. "Uma imagem parada parece um problema técnico", diz o Bruno Amaral. "Basta alguma coisa mexer para se perceber que está tudo a andar."
Entre março e outubro de 2026 ele animou seis cartazes para esses minutos. Ninguém lhe pediu nenhum, e nenhum foi para o ar sem o cliente o aprovar.
Uma noite livre antes do CCB
O primeiro foi fácil. Na véspera do livestream do Programa Gilead Génese, que fizemos para o Expresso no Centro Cultural de Belém a 11 de março, o Bruno tinha a noite livre e pegou no cartaz. O fundo vermelho tinha manchas desfocadas atrás do logótipo, e ele pô-las a respirar. Tirou também o botão "Consulte o programa", que num ecrã de espera serve tanto como uma campainha pintada na parede. Tenho um fraco por quem gasta assim uma noite livre.

Na mesma noite animou o cartaz do Fórum Estratégico de Nutrição Clínica, da Fresenius Kabi, que tínhamos transmitido do CCB uma semana antes. Esse nunca foi para o ar. Serviu para afinar o método.

Onze tentativas na Figueira
Em maio apareceu o primeiro cartaz que não se deixava animar. A Navigator e o Clube de Produtores Florestais juntavam-se a 21 de maio no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz para falar de incêndios, e o cartaz era uma fotografia aérea, floresta alinhada de um lado e terra queimada do outro, com o título branco por cima. Não havia manchas de fundo nem partículas. Havia árvores.
A 19 de maio o Bruno fez onze tentativas de pôr aquela fotografia a mexer, com luz a passar por cima e com um movimento de câmara simulado, e as onze ficaram com o ar de um quadro que alguém abana na parede para fingir que há vento. Uma fotografia que o olho lê como verdadeira não aguenta movimento falso. Irrita-me a imagem que mexe só para mostrar que mexe, e há muita por aí.

O Bruno largou a fotografia e pediu ao Expresso a versão do cartaz sem os logótipos nem o texto, que chegou pouco depois. Comparou-a píxel a píxel com o cartaz final, separou os gráficos da fotografia, e a partir daí a fotografia não mexeu em nenhum frame. Mexem os gráficos. O anel de letras do selo do Clube roda à volta do símbolo do meio, que fica parado, o logótipo da Navigator vira sobre si próprio e passa um brilho quente pelo título.
Com o selo foi mais difícil. A rodar à volta do centro da caixa que o continha, deixava fantasmas de letras em certos ângulos, pontas que saíam da máscara e ficavam onde estavam antes de rodar. O Bruno passou várias voltas a tentar tapá-los, até perceber que o eixo estava errado e que o centro certo era o centro de massa do desenho, três píxeis ao lado.
De Coimbra a Peniche
Em Coimbra, a 3 de junho, o Startup Capital Summit vestiu-se de aeroporto, e com um avião desenhado no cartaz era difícil não o pôr a voar pela linha tracejada. A organização tinha vídeos seus para a sala, e o nosso ficou para os minutos entre o arranque da emissão e o início do evento.

Em Peniche os cartazes chegaram ao alto, e um ecrã é deitado. O do concerto Onda Sem Muralhas, a 3 de outubro no Clube Recreativo Penichense, veio pelo WhatsApp, e o Bruno recompô-lo em 16:9, com as cordas da guitarra a vibrar. Na primeira versão as cordas paravam dois segundos antes do fim, e com elas quietas via-se o corte, por isso pô-las a tocar até à costura.

A 16 de outubro o Erro de Raccord, do João Leitão, abriu o 10.º Festival Música de Cá, no Fórum da Parreirinha, com o cartaz do Município de Peniche animado no ecrã antes e depois do concerto. No dia seguinte o Bruno ofereceu ao Município uma versão de 60 segundos para os concertos que faltavam. O mar ondula, e a lista de concertos abre uma linha de cada vez, em grande, por causa do painel de LED de 4 por 2 da sala. Nunca a chegou a ver a correr.
