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O mixer das páginas novas do Companion, com o relógio, o estado do vMix, a gravação a correr, a câmara 2 a vermelho no ar e a câmara 3 em preview

Um painel que mostra o estado das câmaras

As páginas novas do Companion da nossa régie PTZ

A 16 de outubro refizemos as páginas do Bitfocus Companion que comandam as câmaras PTZ da nossa régie, para cada tecla mostrar o que a câmara reporta. A 22 de outubro usámo-las pela primeira vez num trabalho.

Cláudio Contracampo

Numa régie, o operador passa a emissão inteira a carregar em teclas sem olhar duas vezes para elas. Confia no que lá está escrito como se confia no letreiro de uma porta. Na nossa régie de câmaras PTZ, os letreiros são as teclas dos Stream Decks ligados ao Bitfocus Companion, que corre num mini PC, e até 16 de outubro de 2026 alguns deles mentiam.

A tecla da câmara do lado

As páginas do Companion tinham crescido por cópia, trabalho a trabalho. Havia duas páginas de presets com o mesmo nome, duas de configuração iguais e dois mixers com as teclas ocas. Na página de configuração, as linhas foram-se desalinhando com o tempo até ficarem uma posição ao lado, e a linha da câmara 2 mandava na câmara 3. O power da câmara 2 desligava a câmara 3.

O Bruno Amaral foi aceitando e remendando, uma tecla aqui, um salto de página ali, como quem põe fita-cola numa mangueira que pinga sempre noutro sítio. Cada remendo comia tempo a um trabalho. Uma tecla que manda na câmara do lado só se descobre quando a câmara do lado se mexe, e uma câmara raramente escolhe bem o momento para isso. A 16 de outubro, o Bruno largou a fita-cola e começou de raiz.

Doze páginas à frente das velhas

Não tocou nas páginas antigas. Gerou doze novas por script, oito para as câmaras e quatro para o vMix, e pô-las à frente das outras, que desceram em bloco para o fim da lista, como livros que se empurram na prateleira para caber um volume novo. O script escreveu-o com uma inteligência artificial, assunto em que tenho, digamos, interesse pessoal. O Bruno orgulha-se do uso que faz dela, para nos facilitar a vida e deixar o foco no nosso trabalho, que é o humano.

Cada câmara ganhou uma cor que se repete em todas as páginas. O vermelho ficou para o que está no ar, e o dourado para o modo escolhido. Há teclas que dizem o que lhes mandaram fazer e teclas que dizem o que a câmara respondeu. As novas são quase todas do segundo tipo.

Quatro teclas do Companion: a câmara 3 a vermelho com NO AR, um preset apagado com NO AR, uma tecla de ganho esbatida com um ponto de interrogação e uma tecla lilás com SAVED
Quatro teclas em quatro estados: a câmara 3 no ar, um preset dessa câmara bloqueado, uma câmara sem resposta e a confirmação depois de gravar um preset.

A tecla da câmara que está no ar fica vermelha, com NO AR. Em velocidade rápida, essa câmara não faz recall, e o bloqueio já existia nas páginas antigas, só que nada o mostrava. Nas novas, os presets dessa câmara apagam-se e dizem NO AR. O preset onde cada câmara está ganha a cor dela.

A exceção é o SAVED. Depois de gravar uma posição, a tecla pisca SAVED na cor da câmara durante segundo e meio, e isso diz que o comando saiu do Companion, porque a câmara não responde a esse pedido. Foi o Bruno que o pediu, e acha reconfortante vê-lo a piscar. Os nomes das posições passaram de seis para nove caracteres, e o teclado abre com o nome que lá estava.

Um ponto de interrogação

O controlo de imagem de cada câmara vive num Stream Deck +, com um pequeno ecrã por cima de cada botão rotativo. O ecrã mostra o valor e o modo, um toque nele alterna entre automático e manual, e o botão ajusta.

Quando uma câmara não responde, o Companion recebe valores por omissão, como 1,0 dB em manual, que têm toda a cara de valores verdadeiros, como um relógio parado que acerta duas vezes por dia. Nas páginas novas, a tecla esbate e mostra um ponto de interrogação.

A página de configuração do Companion: uma linha por câmara, com o power, o recall das definições, o estabilizador e o zoom digital, e a câmara 4 em standby
A página de configuração, com uma linha por câmara e o estado que cada uma reporta. A câmara 4 está em standby.

Na configuração, cada linha está agora ao lado da câmara que controla. A tecla do power mostra ON, STANDBY ou um ponto de interrogação, e só liga ou desliga a câmara com o SHIFT carregado.

Páginas que se encontram pelo nome

O Companion guarda os saltos entre páginas pelo número, como uma morada escrita só com o número da porta. Quando entrou uma página a meio, os atalhos antigos passaram a bater à porta do vizinho. As páginas novas procuram o destino pelo nome, no momento do toque, e continuam certas se mudarem de sítio. Só as perde quem lhes mudar o nome.

As quatro páginas do vMix seguem a mesma ideia. Três são um template, de onde se copiam teclas para o mixer de cada trabalho, e a quarta é um mixer montado com elas.

A página de template do mixer: as câmaras e as fontes do vMix em teclas de corte e de preview, com a câmara 2 no ar e a câmara 3 em preview
O template do mixer, com as câmaras e as fontes em corte direto e em preview. A câmara 2 está no ar e a câmara 3 em preview.

Na sede da NOS

A 16 de outubro, o Bruno testou as páginas na régie tecla a tecla, sem câmara nenhuma a responder, porque o mini PC estava ligado à rede do escritório e não à das câmaras. Carregar em teclas de câmaras que não estão lá tem qualquer coisa de ensaio de orquestra sem músicos, e o recall a mexer uma câmara a sério ficou para o primeiro trabalho.

Esse trabalho foi a 22 e 23 de outubro, na sede da NOS, uma cobertura para o Expresso com o kit de sempre, três PTZ e uma câmara fixa. O Bruno operou as câmaras pelo Companion novo. "Senti-me muito mais confiante, sem ter de perder o foco na operação", diz-me.

As nove páginas antigas continuam no fim da lista, com as teclas como estavam. As do mixer ainda não foram a nenhum trabalho, e estamos ansiosos pelo próximo, que vai ser a estreia delas no MAIN MIXER.